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Santa Quitéria - Seu início

Fazenda do Patriarca do Jacurutu


A casa sede da fazenda, deveria ser mais ou menos, como essa.

 


BOTIJA
Da esq. p direita: Zé Neto, Zezão, aux. Zezão, Zé Francisco e Mauro

 


SAPATA

 


CERCA DE PEDRAS

 

Nertan Macedo, em seu livro “O Clã de Santa Quitéria”, relata que a fazenda Jacurutu velho é apenas ruínas, onde vive a memória semi-apagada daqueles tempos de abundância e riqueza. A seguir o que diz Nertan Macedo: Na sua fazenda do Jacurutu, onde refugiam as magnificências dos rudes solares sertanejos daquela “civilização do couro”, a vida decorria em abundancia e riqueza. As bruacas pejadas de patacões do reino. Os campos atulhados de gado, a lavoura, a escravaria...
Pelos sertões do Jacurutu, Groaíras, do Jaibaras, ainda vive a memória semi-apagadas daqueles faustos.
É a fazenda do Jacurutu Velho, hoje obscuramente perdida na solidão do tabuleiro agreste, é apenas a ruína secular onde dormem tradições remotas e veneráveis. (Macedo Nertan, O Clã de Santa Quitéria, 2ª Ed. 1980, p 28)
Desde que tomei conhecimento da existência dessas ruínas, movia-me à curiosidade de conhecê-las. Certo dia encontrei-me com o Senhor José de Oliveira Pinto, conhecido com Zé Neto, e com sua Esposa Dona Lúcia. Em conversa com o Zé Neto, ele me disse que as ruínas da fazenda Jacurutu velho, encontram-se em uma propriedade dos herdeiros de um de seus Irmãos. Combinamos, então, visitar o local. Convidei o Vereador e Historiador José Francisco de Paiva, e também o meu irmão Francisco Robledo Paiva Mororó. No dia 11 de novembro de 2009, mais ou menos, às 14:00h iniciamos a viagem ao Jacurutu velho. O Zé Francisco, como profundo conhecedor da região, ia nós explicando, e nos dizendo os nomes das propriedades, por onde íamos passando. Lá para as 15:00h atingimos a sede do distrito de Malhada Grande. O Zé Neto nos explicou a origem do nome Malhada Grande Ali era o local onde onde os grandes rebanhos do senhor João pinto de Mesquita malhavam, ou seja,onde procuravam as sobras das arvores para descansarem e se prtegerem do sol abrasador do meio dia Dalí tomamos a estrada que vai ao povoado de Areal, dentro de pouco tempo chegamos ao nosso destino.
As ruínas da Fazenda Jacurutu, chamada por Nertan Macedo de Jacurutu Velho, fica entre Malhada Grande e Areal, as margens da estrada que liga as duas localidades, e em um ponto de coordenadas: latitude(s): 4° 21’, 31,529”; longitude(w): 039° 18’ 40,307”.
Lá chegando fomos recebidos pelo Sr. José Itamar Carneiro Pinto, conhecido por Zezão. O Zezão passou a nos mostrar o que ainda existe da velha casa sede da Fazenda Jacurutu Velho. A localidade ainda hoje é chamada de Jacurutu. Tiramos fotos das sapatas ainda hoje existentes, e também de um local onde um aventureiro escavou a procura de uma butija. Tiramos também fotos de um muro de pedras, que segundo o Zezão, servia de cerca para reter os animais. (Fotos acima). As referidas cercas de pedras eram feitas pelos escravos do Senhor João Pinto de Mesquita. No inventário de João Pinto de Mesquita, consta a existência de 18 escravos. 
O Zé Neto disse-nos que o Sr. Francisco de Assis Parente (Xixi), ex-prefeito de Santa Quitéria, industrial e político de prestígio, inclusive nessas localidades, tinha um projeto de construir um monumento no local da casa velha. O atual vereador, Raimundo Martins Parente, como todos nós sabemos, é filho do seu Xixi. Raimundo vamos abraçar esse projeto do seu pai!
Hoje existem nas proximidades do local algumas entidades, entre elas: em frente, do outro lado da estrada a Associação Comunitária Francisca Jovelina Braga e também em frente, antes da estrada, uma quadra de forró, e a direita um Parque de Vaquejadas, com o nome de João Neto, um dos herdeiros da propriedade.
O Helder Mesquita no seu livro “O Patriarca do Jacurutu” diz que Dona Tereza de Oliveira, mulher de João Pinto de Mesquita, foi sepultada na capela de Nossa Senhora do Rosário em Riacho Guimarães, que pertenceu o município de Santa Quitéria, e hoje é Groaíras. Vejamos o que o mesmo relata:
Aos vinte e cinco dias de janeiro de mil setecentos e sessenta e cinco faleceu da vida presente Tereza de Oliveira, mulher do sargento-mor João Pinto de Mesquita, fregueses deste curado de Nossa Senhora da Conceição de Caiçara do lugar do Jacurutu, com todos os sacramentos e ab intestado, de idade de sessenta anos, pouco mais ou menos, foi sepultada na capela do riacho, filial desta matriz, das grades para cima e em volta em habito de São Francisco, do que fiz este termo aos trinta do mês e ano supra para constar e assinei João Ribeiro Pessoa, cura vigário da Vila Caiçara “livro de óbitos 1752-74, fls. 65v (João Pinto de Mesquita o Patriarca do Jacurutu, J. Helder Mesquita, 2003, 22).
Resolvemos ir até Groaíras, antigo Riacho Guimarães, onde foi sepultada, a matriarca daquela antiga casa que tínhamos terminado de visitá-la. Dona Tereza, provavelmente, deu a luz, criou e educou ali os seus 11 filhos.
A Fazenda Jacurutu dista de Groaíras, cerca de 17km. Lá chegando, fomos á igreja, que tem como padroeira Nossa Senhora do Rosário, e que naquela época era uma capela. No interior da referida igreja encontramos umas grades, que devem naturalmente, já terem sido reformadas ou substituídas, mas tem a possibilidade de ter sido ali sepultada Dona Tereza. Não encontramos nenhuma lápide que pudesse identificar o real local do sepultamento.
De Groaíras rumamos para Santa Quitéria via Sobral, onde chegamos, em Santa Quitéria, por volta das 19h. Cheguei cansado, muito rouco, quase sem fala, por causa da poeira e do sol, porém satisfeito por ter cumprido aquela missão que a muito desejava.

Maiores informações sobre o município de Santa Quitéria e também sobre a nossa Milagrosa Padroeira consultem o site: www.paivamororo.com.br
O site que conta a história de Santa Quitéria e traz a origem da família Paiva Mororó.
Antonio Mauro Paiva Mororó, sócio do Rotary Club de Santa Quitéria.